Abstract
<jats:p>O câncer do colo do útero permanece entre as principais causas de morbimortalidade feminina em diversos países, apesar de constituir uma neoplasia amplamente prevenível por meio da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV), do rastreamento organizado e do tratamento oportuno das lesões precursoras. Nas últimas décadas, importantes avanços científicos modificaram o paradigma do rastreamento, com a incorporação da testagem molecular para HPV de alto risco, da autoamostragem vaginal e de novas estratégias voltadas à ampliação da cobertura populacional e à detecção precoce das lesões cervicais. Essas inovações apresentam potencial para aumentar a sensibilidade diagnóstica, reduzir barreiras de acesso aos programas de rastreamento e favorecer a implementação de modelos mais individualizados e custo-efetivos. Paralelamente, avanços em inteligência artificial, biomarcadores moleculares e tecnologias digitais apontam novas perspectivas para o aprimoramento das estratégias de prevenção secundária. Este capítulo apresenta uma revisão narrativa da literatura acerca das principais inovações no rastreamento do câncer do colo do útero, discutindo os fundamentos da testagem para HPV, a utilização da autoamostragem, os desafios para sua implementação e as perspectivas futuras para programas de rastreamento baseados em evidências. A análise evidencia que a incorporação dessas tecnologias representa importante oportunidade para ampliar a efetividade dos programas de prevenção e contribuir para a redução da incidência e da mortalidade associadas ao câncer cervical.</jats:p>