Abstract
<jats:p>Há histórias que não cabem apenas em palavras. Precisam de linha, tecido, retalho e coragem. Neste livro, a arpillera não é enfeite: é método, linguagem e denúncia. É memória costurada por mãos jovens que carregam, no corpo e no território, a continuidade da luta pela terra. Acompanhando quatro estudantes do Ensino Médio, o Instituto de Educação Josué de Castro (IEJC), vinculado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Louise Löbler borda um percurso de pesquisa atravessado por Direitos Humanos, Educação do Campo e Memória Social. Em um tempo marcado pela pandemia e pelo distanciamento, o bordado coletivo se transforma em registro vivo: cada ponto revela família, chão, escola, resistência e futuro. Entre Frantz Fanon, Milton Santos e Paulo Freire, e entre as narrativas de Ocupar, Resistir, Produzir e Conquistar, este livro afirma: a educação não é neutra. E o território também não. Quando a juventude do campo costura sua própria história, o silêncio não se sustenta. A linha vira voz. E a memória vira luta. Arpillerando com jovens do Ensino Médio de uma escola do campo é um convite a reconhecer a arte como linguagem política e a educação como território de disputa e esperança.</jats:p>