Abstract
<jats:p>Introdução: A Doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e pode ser dividida em duas fases: a aguda, que ocorre logo após a infecção, e a crônica, que revela sinais e sintomas até anos depois do primeiro contato. O tratamento com uso de antiparasitários apresenta benefícios comprovados nas fases iniciais, porém, a eficácia é limitada em pacientes com cardiopatia estabelecida, nos quais o dano miocárdico já se encontra, em grande parte, irreversível. Dessa forma, uma das complicações mais graves é a cardiomiopatia chagásica crônica (CCC), caracterizada por uma inflamação fibrosante e progressiva, que resulta em danos estruturais ao miocárdio e ao sistema de condução elétrica do coração. Esse processo muitas vezes é silencioso, dificultando o diagnóstico precoce, agravando o quadro clínico do paciente e contribuindo para a alta taxa de morbimortalidade da Doença de Chagas. Metodologia: O estudo caracteriza-se como uma revisão bibliográfica de natureza narrativa. Os dados foram consultados em bases científicas como a PubMed e a SciELO, empregando-se os descritores "Chagas disease", "Diagnosis" e "Chagas Cardiomyopathy", articulados com o auxílio do operador booleano AND, conforme a terminologia do Medical Subject Headings (MeSH). A seleção abrangeu diretrizes de sociedades de cardiologia e artigos publicados entre 2020 e 2025, com disponibilidade de texto integral nos idiomas português ou inglês. Resultados: Exames de imagem e de laboratório são essências tanto para diagnosticar a cardiomiopatia chagásica crônica precocemente, quanto para acompanhar o estado de saúde do paciente. Eletrocardiograma, ecocardiograma e os biomarcardores de BNP e NT-proBNP são considerados o padrão-ouro. Já a Ressonância Magnética Cardíaca e o PCR também auxiliam na investigação detalhada dessa complicação. Conclusão: Mesmo em países desenvolvidos, ocorre o subdiagnóstico ou o quadro é fechado como insuficiência cardíaca, principalmente nas áreas não endêmicas. Logo, diagnosticar a CCC depende de uma postura proativa do profissional, pois qualquer sinal de dano ao sistema de condução no ECG ou alteração segmentar no ecocardiograma já classifica o paciente como portador de cardiopatia, exigindo seguimento clínico mais frequente.</jats:p>