Abstract
<jats:p>A diabetes mellitus (DM) felina é uma endocrinopatia complexa cuja fisiopatologia, na maioria dos casos, mimetiza o diabetes mellitus tipo 2 humano, sendo caracterizada pela combinação de resistência insulínica periférica e disfunção progressiva das células β pancreáticas (Taylor et al., 2025). Evidências clínicas indicam que aproximadamente 20–25% dos casos estão associados ao hipersomatotropismo (HST), frequentemente decorrente de adenomas hipofisários funcionais, o que contribui significativamente para quadros de resistência insulínica refratária (Taylor et al., 2025; Miceli et al., 2022). O arcabouço terapêutico tradicional, historicamente centrado na insulinoterapia, tem evoluído substancialmente. A insulina glargina 300 U/ml (IGla-U300) apresenta vantagens farmacodinâmicas relevantes, incluindo perfil de ação mais estável e prolongado, com menor variabilidade glicêmica (Linari et al., 2022). Estudos clínicos demonstram sua eficácia na redução da hiperglicemia e dos níveis séricos de frutosamina, além de favorecer taxas significativas de remissão, particularmente em felinos recém-diagnosticados, com baixo risco de hipoglicemia clínica (Linari et al., 2022). Paralelamente, os inibidores do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (SGLT2), como a bexagliflozina e a velagliflozina, representam uma inovação terapêutica ao promoverem controle glicêmico independente da secreção de insulina, por meio da indução de glicosúria (Cook; Behrend, 2024). Embora melhorem a adesão ao tratamento e reduzam a glicotoxicidade, seu uso requer criteriosa seleção de pacientes e monitoramento rigoroso, devido ao risco de cetoacidose diabética euglicêmica (eDKA) (Cook; Behrend, 2024; Taylor et al., 2025). A evolução clínica da DM felina é fortemente influenciada por comorbidades. A pancreatite estabelece uma relação bidirecional com a doença, contribuindo tanto para sua gênese quanto para a instabilidade metabólica (Xenoulis; Fracassi, 2022). Em casos de DM associada ao HST, a cabergolina, agonista dopaminérgico D2, tem demonstrado eficácia na redução das concentrações de IGF-1, na melhora da sensibilidade à insulina e na indução de remissão em uma proporção relevante de pacientes (Miceli et al., 2022). (Ronald Lobo) Adicionalmente, o monitoramento contínuo de glicose (CGM) tem transformado o acompanhamento clínico, permitindo avaliação dinâmica da variabilidade glicêmica e reduzindo interferências associadas à hiperglicemia por estresse (Taylor et al., 2025). Assim, o manejo contemporâneo da DM felina baseia-se em uma abordagem integrada, que combina avanços farmacológicos, controle de comorbidades e monitoramento tecnológico.</jats:p>