Abstract
<jats:p>Os focos infecciosos orais silenciosos, caracterizados por processos inflamatórios crônicos de origem odontogênica e frequentemente assintomáticos, representam um risco crítico, especialmente em pacientes hospitalares submetidos a terapias imunossupressoras como o transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) e transplantes de órgãos sólidos (TOS). Tais focos, incluindo periodontite apical crônica e bolsas periodontais profundas, são reservatórios de patógenos com potencial de disseminação sistêmica e desenvolvimento de sepse. O manejo preventivo, ou saneamento de focos, é crucial para mitigar complicações pós-procedimento de alta complexidade. Este estudo é uma revisão bibliográfica narrativa com o objetivo de sintetizar as evidências científicas sobre o manejo desses focos. A literatura reforça a associação entre múltiplos focos orais crônicos pré-transplante e o aumento da morbidade, tempo de internação prolongado e risco de complicações infecciosas e inflamatórias sistêmicas, como abscessos cerebrais e agravamento da orbitopatia de Graves. A conduta clínica predominante é a extração dentária para eliminação rápida do risco. Conclui-se que a integração da odontologia ao cuidado hospitalar é essencial, pois a eliminação desses focos previne complicações locais e sistêmicas, podendo reduzir a rejeição de transplantes e evitar desfechos fatais em pacientes críticos.</jats:p>