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Abstract

<jats:p>A ação climática é frequentemente discutida em termos de ambição — metas, prazos e compromissos —, deixando em segundo plano as condições que tornam essa ambição exequível. Este artigo examina a tese de que não existe política climática consistente sem a conjugação de três pilares: ciência forte, financiamento estável e capacidade institucional. Adotou-se revisão integrativa da literatura, de natureza qualitativa, articulando referenciais teóricos sobre a interface entre conhecimento e decisão, literatura sobre capacidades estatais, documentos de avaliação científica internacional, marcos normativos brasileiros e dados sobre financiamento à pesquisa. Os resultados indicam que a utilidade do conhecimento científico para a decisão política não decorre apenas de sua solidez técnica, dependendo da conjugação simultânea de credibilidade, saliência e legitimidade. Demonstra-se que a capacidade de monitoramento por satélite constitui exemplo concreto de infraestrutura científica sem a qual não haveria linha de base nem verificação de resultados na política de controle do desmatamento. Constata-se, em contrapartida, retração superior a cinquenta por cento no aporte ao principal fundo federal de financiamento à pesquisa, com efeitos particularmente severos sobre investigações de longa maturação. Verifica-se, por fim, que a arquitetura de governança climática brasileira é normativamente robusta, mas sua efetividade depende de capacidades técnico-administrativas e político-relacionais nem sempre disponíveis. Conclui-se que os três pilares operam de modo interdependente, e que a fragilidade de qualquer um deles converte a política climática em enunciado sem correspondência prática.</jats:p>

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Keywords

climática política sobre não financiamento

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