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Abstract

<jats:p>A aplicação da política de cotas direcionada à pós-graduação stricto sensu tenciona diretamente as bases histórico-estruturais das desigualdades de gênero, classe, raça e identidades, ao passo que visa permitir que parcelas da classe trabalhadora acesse níveis elevados na educação, ligados sobretudo ao campo científico, do ensino, da pesquisa e da extensão. A pesquisa que ora apresentamos desvela as trajetórias de mulheres negras trabalhadoras cotistas que ocuparam cadeiras nos cursos de mestrado e doutorado a partir da Lei de cotas nº 6.914/2014, que instituiu a Política de Cotas na pós-graduação das universidades estaduais do Rio de Janeiro. Ao mergulhar nas histórias de vida das entrevistadas, trazemos, para o centro do debate, os reflexos do racismo institucional e estrutural, a luta pelo reconhecimento e contra a desigualdade de gênero que cotidianamente atravessa a vivência dessas mulheres. A obra é uma contribuição para aprofundamento de pesquisas sobre política de cotas na pós-graduação, com atenção a sua efetividade, e análises críticas das múltiplas expressões das desigualdades sob o crivo da consubstancialidade e da interseccionalidade na legitimação das histórias que vêm de baixo e que nos desafiam a observar o cotidiano e a luta das camadas populares por educação e reconhecimento por meio de novas lentes.</jats:p>

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Keywords

cotas política pósgraduação desigualdades gênero

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