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Abstract

<jats:p>A polifarmácia em pessoas idosas deixou de ser um marcador apenas quantitativo do uso de múltiplos medicamentos e passou a ser compreendida como um fenômeno clínico complexo, ligado à multimorbidade, à fragmentação do cuidado, ao uso de prescrições oriundas de diferentes serviços e ao prolongamento de tratamentos iniciados em contextos agudos e nunca reavaliados. Em termos práticos, a distinção entre polifarmácia apropriada e polifarmácia problemática é decisiva: a primeira decorre da necessidade clínica de tratar condições coexistentes com benefício líquido demonstrável; a segunda emerge quando o conjunto terapêutico amplia o risco de dano, a carga de tratamento e a iatrogenia, sem benefício proporcional. Essa diferenciação impede abordagens simplistas baseadas apenas no número de fármacos e desloca o foco para adequação, prioridade terapêutica, expectativa de vida, funcionalidade e preferências do paciente. A literatura recente reforça que a polifarmácia se associa a eventos adversos, fragilidade, quedas, comprometimento cognitivo, hospitalizações e mortalidade, embora tais desfechos não possam ser interpretados de modo isolado da carga de doença de base.</jats:p>

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Keywords

polifarmácia apenas benefício carga pessoas

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