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Abstract

<jats:p>A posição que a polícia ocupa no funcionamento democrático brasileiro revela uma dupla dimensão, na qual, ao mesmo tempo em que exerce funções essenciais de proteção, também reproduz práticas que acentuam desigualdades antigas e profundamente enraizadas. Por essa razão, sua atuação não pode ser reduzida a um exercício meramente administrativo, pois influência de maneira direta a forma como diferentes grupos experimentam a cidadania no dia a dia, sobretudo quando o uso da força recai de maneira mais intensa sobre segmentos específicos da população. Nesse percurso histórico, consolidou-se no país um modelo de policiamento que, impulsionado por fatores políticos, econômicos e culturais, passou a operar de modo seletivo. Essa lógica não se limita a episódios pontuais. Ela compõe um conjunto de mecanismos estruturados de vigilância e controle que interferem na mobilidade dos indivíduos, moldam trajetórias pessoais e redefinem a relação de pertencimento ao espaço público. Assim, a seletividade policial revela-se como parte integrante da forma como o Estado organiza a vida social, produzindo efeitos diretos sobre o acesso aos direitos e sobre a efetiva inclusão na ordem jurídica.</jats:p>

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Keywords

como sobre essa não maneira

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