Abstract
<jats:p>Este ensaio propõe-se a revisar o conceito de mímesis, partindo da tradição aristotélica até as reformulações contemporâneas. Para tanto, as discussões teóricas de Luiz Costa Lima (1986, 2006, 2014, 2021) serviram como aporte para o entendimento da mímesis enquanto um processo de constituição do sujeito e da sociedade. Tal processo é mediado pela relação triádica entre o real, o fictício e o imaginário, o que compõe os atos de fingir conforme a perspectiva de Wolfgang Iser (1996, 2002). Nesse sentido, a literatura é abordada como uma reelaboração do real, promovendo a transgressão de sentidos preestabelecidos. Ademais, a breve análise de alguns trechos da obra Menino sem passado, de Silviano Santiago (2021), ilustra a hibridização entre memória, história e ficção, ratificando a compreensão da mímesis como “imitação criadora” — para retomar expressão utilizada por Paulo Pinheiro na tradução da Poética de Aristóteles — não como cópia strictu sensu da realidade, de dados históricos e/ou biográficos. Diante disso, este ensaio constrói uma leitura da mímesis não como espelhamento, mas como recriação crítica do mundo.</jats:p>