Abstract
<jats:p>Caldas Novas, localizada no interior do estado de Goiás, é conhecida popularmente por suas estâncias de águas termais que atraem milhões de turistas anualmente, de modo que sua história e memória estão a elas profundamente ligadas. Os valores cultural e temporalmente atribuídos a tais águas quentes entrelaça-se às narrativas da colonização de Goiás e do desenvolvimento da região, da exploração de seus recursos naturais e das suas transformações socioeconômicas. Dito isto, o livro que ora se apresenta concentrou seus esforços em analisar criticamente narrativas memorialísticas sobre Caldas Novas e, como a partir delas, foi possível compreender diacronicamente sentidos históricos de ordem política, econômica e sociocultural do município entre 1911 e 2011. A problemática do estudo é transpassada pela importância das suas águas termais e pelas práticas que as constituíram. Como, ao longo desse período, Caldas Novas se desenvolveu como uma das principais estâncias hidrotermais do mundo? Os poucos registros e vestígios disponíveis e localizados sobre o passado local nos possibilitam entrever que personagens, que lugares, que episódios? Por quem e por que foram dignos de nota e conservação? A reboque das questões acima, objetivamos ainda compreender como foram escolhidos e articulados simbolicamente os marcos comemorativos oficiais do centenário da cidade (1911-2011) e quem são os agentes de entabulamento dessa memória local e do consequente sentimento de pertencimento e continuidade entre os indivíduos que é capaz de arquitetar. A investigação busca ainda analisar como esses eventos celebrativos do que é oficialmente apresentado como a “história da cidade” de fato são expre</jats:p>