Abstract
<jats:p>Etnografia acerca do processo de (re)elaboração das práticas etnomédicas dos Potyguara de Monsenhor Tabosa, Ceará, na perspectiva crítica histórico-antropológica. Descreve o processo semiótico da dinâmica cultural da população indígena e suas implicações no contexto atual. Ao longo do tempo, os massacres sofridos pela colonização e pelo avanço integracionista, a negação e punição às manifestações religiosas com seus impactos no modo de vida da população indígena que levavam os elevados índices de mortalidade por doenças transmissívei. A Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas-PNASPI compatibilizou as Leis Orgânicas da Saúde com as da Constituição Federal, que reconhecem aos povos indígenas suas especificidades étnicas e culturais e seus direitos territoriais. Atualmente tem como desafio a convergência dos determinantes sociais e das iniquidades em saúde que corroboram para a concomitância de doenças infecciosas e parasitárias e as doenças cardiovasculares como problemas de saúde persistentes. Esse cenário, associado ao processo de transformações sociais, ao crescimento populacional e as reivindicações político-sociais e per si, reelaboração cultural, especialmente no Nordeste, demandam pela reconstrução da abordagem biomédica hegemônica oficial, uma vez que apresenta preceitos frágeis que não dão conta das especificidades desta população. Propõe-se que a interpretação do processo de reelaboração das práticas tradicionais de saúde na contemporaneidade, poderá contribuir para o fortalecimento dessa reconstrução, através de um trabalho compartilhado entre os cuidadores das práticas tradicionais de saúde indígena e os profissionais (da biomedicina), que poderia se concentrar na compreensão das concepções e da experiência dos processos de adoecimento e cura, a partir do meio sociocultural, entrelaçando etnomedicina e a antropologia simbólica para o alcance de uma atenção realmente diferenciada ao povo indígena. Pesquisa aprovada pelo Comitê e pelo Conselho de Ética em Pesquisa. Os Potyguara na contemporaneidade buscam afirmar-se através da retomada das tradições e dentre elas, as práticas de cura. São identificados variados símbolos utilizados pelos cuidadores tradicionais que, associados a orações e respeito sinalizam para o fortalecimento dessas práticas. Aponta o processo de reelaboração da cultura como mecanismo dinâmico e dialético de reivindicação do ser indígena em sua constante luta por direitos e conquistas sociais e per si, a (re)elaboração dos conhecimentos e práticas etnomédicas dos Potyguara do Mundo Novo e Jacinto.</jats:p>