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Abstract

<jats:p>A organização de feiras agroecológicas tem se propagado no Brasil como estratégia de comercialização e fortalecimento da Agricultura Familiar. No Agreste Meridional de Pernambuco, a Feira Territorial de Agroecologia e Agricultura Familiar (Agrofeira) envolve famílias dos municípios de Garanhuns, Bom Conselho, Jucati e Saloá, articuladas em rede com universidades e movimentos sociais. Apesar de suas contribuições para a transição agroecológica: produção sem agrotóxicos, protagonismo feminino (60,7% das/os cadastradas/os) no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), preservação de sementes crioulas e construção de mercados baseados na confiança, a experiência enfrenta fragilidades institucionais: perda da Declaração do Cadastro de Organização de Controle Social (OCS), desarticulação e burocracia excessiva. A pesquisa parte da seguinte pergunta: como a Agrofeira contribui para a consolidação da transição agroecológica no território e quais mecanismos são necessários para assegurar sua legitimidade, governança e continuidade institucional? O objetivo foi analisar essa contribuição e desenvolver uma metodologia integrada – o Sistema Integrado de Planejamento para a Transição Agroecológica (SIMPTA) – capaz de fortalecer a governança e a sustentabilidade da feira. A metodologia qualitativa incluiu observação participante (roteiro de Katz), diálogos semiestruturadas com 11 sujeitos (agricultores, consumidores, instituições), grupos focais, análise documental e oficinas de validação com 16 técnicos extensionistas. Os resultados evidenciam que a Agrofeira opera como dispositivo socioterritorial, articulando dimensões produtivas, ecológicas, sociais, culturais e políticas, mas sua continuidade é ameaçada por vulnerabilidades institucionais. O SIMPTA, construído participativamente, integra três módulos: 1) PMTA (diagnóstico da transição com 20 indicadores); 2) SWOT/TOWS (planejamento estratégico participativo); e 3) análise de viabilidade econômico-financeira. Validado por técnicos, o sistema oferece instrumentos para diagnóstico, planejamento e tomada de decisão, podendo ser replicado em contextos similares. À tese defendida é que a sustentabilidade institucional de feiras agroecológicas como a Agrofeira depende de instrumentos técnico-participativos que articulem saberes locais e exigências do Estado e do mercado mediados por serviços de Extensão Rural presentes e efetivos. Conclui-se que o fortalecimento da Extensão Rural e de políticas públicas adequadas é condição para que experiências dessa natureza se consolidem como política de desenvolvimento territorial.</jats:p>

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Keywords

para como agrofeira transição agricultura

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