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Abstract

<jats:p>A inclusão do aluno com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) no sistema educacional brasileiro, embora amparada legalmente, ainda enfrenta um obstáculo recorrente: a invisibilidade. Com frequência, esses estudantes são classificados apenas pela idade cronológica, sem que suas habilidades cognitivas superiores sejam devidamente consideradas. Esse cenário gera consequências significativas, como o desestímulo, a frustração e até mesmo o baixo desempenho escolar, em um paradoxo que contrasta com o elevado potencial que possuem. Nesse contexto, torna-se evidente que o processo de identificação inicial não pode se restringir a testes psicométricos tradicionais, como os de quociente de inteligência (QI). Apesar de sua utilidade, tais instrumentos contemplam apenas uma parcela restrita da população e deixam de abarcar a natureza diversa do potencial humano. A perspectiva contemporânea, influenciada pelos trabalhos de Joseph Renzulli, propõe uma concepção mais dinâmica e situacional da superdotação — compreendida como um comportamento manifesto que pode ser estimulado e desenvolvido em ambientes pedagógicos adequados. Reconhece-se, portanto, que alunos com AH/SD podem expressar seu potencial de formas variadas: por meio de um vocabulário sofisticado, do interesse por desafios cognitivos, da rapidez e facilidade de aprendizagem, da produção de ideias originais e complexas, da curiosidade investigativa, da motivação intrínseca diante de temas de interesse, do pensamento divergente, da empatia, da liderança e do raciocínio abstrato, seja verbal ou numérico. De acordo com Renzulli, esses indicadores correspondem ao Modelo dos Três Anéis, que articula três fatores essenciais para a compreensão da superdotação: habilidades acima da média, criatividade e comprometimento com a tarefa. Diante disso, a observação sistemática desses indicadores pelo pedagogo constitui uma etapa fundamental para a identificação inicial, conferindo maior precisão ao processo de identificação pedagógica (VIRGOLIM, 2021; GUENTHER, 2011). A publicação tem, portanto, o objetivo de capacitar o pedagogo no uso dessa observação como principal ferramenta, promovendo a coleta de evidências comportamentais capazes de transformar impressões subjetivas em dados objetivos. Esses registros, por sua vez, podem fundamentar tanto práticas pedagógicas diferenciadas quanto o encaminhamento para avaliações psicológicas mais aprofundadas, quando necessário.</jats:p>

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