Abstract
<jats:p>Esta pesquisa investiga como a trajetória da operária e militante anarquista Maria Antônia Soares (1898-1991) permite compreender as relações entre corpo, gênero, memória e espaço urbano no início do século XX. O objetivo é analisar de que modo experiências corporais e generificadas de mulheres operárias participaram da produção da cidade, tensionando fronteiras entre os espaços público e privado e revelando formas de presença política frequentemente apagadas pelas narrativas historiográficas. A pesquisa mobiliza uma abordagem de etnografia de arquivo, articulando documentos históricos, imprensa operária, registros sindicais, fotografias e materiais memorialísticos, além da elaboração de um caderno de campo visual como ferramenta de análise das relações entre corpo e espaço. A partir desse conjunto documental, busca-se reconstruir os percursos urbanos de Maria Antônia Soares e compreender como seus deslocamentos, práticas militantes e formas de ocupação da cidade produziram outras possibilidades de existência pública para mulheres no período. Os resultados parciais indicam que sua trajetória evidencia como as experiências corporais e as práticas cotidianas de mulheres operárias participaram da construção de espaços de resistência e de atuação política. A pesquisa contribui, assim, para ampliar a compreensão da cidade como espaço produzido por experiências corporais, disputas de memória e relações de gênero.</jats:p>